sexta-feira, 22 de maio de 2015

Dicas de Fisioterapia para portadores da Doença de Huntington



Os tecidos cerebrais são afetados pela Doença de Huntington (DH). Essa enfermidade faz com que os problemas se tornem maiores conforme o tempo passa, visto que é uma patologia hereditária. Como consequência, o portador pode sofrer complicações em seu quadro clínico, que vão de pneumonia, infecções até insuficiência cardíaca.

Por envolver questões genéticas, os filhos possuem 50% de chance de contrair a doença, porém os efeitos são percebidos na idade adulta. Entretanto, há caso em que o indivíduo seja acometido pelos sintomas durante a fase infantil. Nesses casos o papel do fisioterapeuta se faz necessária com maior intensidade.

A Fisioterapia é recomendada para manter os músculos flexíveis e evitar a atrofia muscular. Um método eficaz para crianças com a Doença de Huntington (DH) é a terapia de piscina. O ambiente aquático faz com que os exercícios sejam facilmente executados, além de relaxar os músculos.

Fora da água, o fisioterapeuta atua para preservar as ações físicas e para reduzir o aparecimento dos movimentos involuntários, rigidez, hipotonia, déficit de equilíbrio, diminuição da força, déficit cognitivos e problemas respiratórios.


Dessa forma, as quedas, que são alguns dos principais problemas do paciente, serão reduzidas. Nos casos de estado avançado da doença o enfoque fisioterápico deve ser aplicado às atividades que retardem as complicações cognitivas e as alterações pelo qual os movimentos passam. Sendo assim, o paciente preserva por mais tempo sua independência.

Psicomotricidade Aquática



Psicomotricidade Aquática é uma das formas de estimular as potencialidades do indivíduo utilizando a água como meio, trabalhando a relação do indivíduo com o espaço, com o objeto, com o outro e consigo mesmo; baseia-se na criatividade e espontaneidade, e ambas devem surgir naturalmente, sem serem comandadas. Para entender melhor a psicomotricidade aquática é necessário lembrar um pouco sobre a relação do meio líquido com o movimento enquanto expressão psicomotora do ser humano.

Tem como base desde a concepção e evolução, quer dizer, no meio intra-uterino até chegar o nascimento. Sabe-se que o feto está banhado por um líquido chamado líquido amniótico, o qual está na mesma temperatura que seu corpo e atravessado permanentemente pelo fluxo sangüíneo da mãe.

Ao nascer, a criança entra num mundo desconhecido que não está mais em harmonia com as sensações internas, mas sim, as externas como o contato das mãos, dos objetos, da temperatura, da luz que na verdade é do outro. A criança então, busca encontrar um complemento que é a mãe (podendo ser outro adulto). Essa fusão irá mantê-la protegida e num estado prazeroso.

A água dentro desses aspectos positivos pode auxiliar nesse contato, nessa fusionalidade. Deve ser utilizada como meio de ação mais global, através do movimento, e da relação desse indivíduo com o espaço, com o outro, com o objeto e consigo mesmo.
Trabalhar a psicomotricidade dentro da água é fazer dela e do movimento uma estimulação para o indivíduo. Com isso, ele aprende a se conhecer e a se aceitar. A criança não entra na aula e fica apenas brincando sem planejamento algum, há a necessidade de estudar o seu histórico, de saber as suas necessidades e frustrações para poder atuar como um meio e não como um fim.

Nas atividades dentro da água são solicitados os canais exteroceptivos (sinais do meio externo captados pelos órgãos dos sentidos), proprioceptivos (situação do corpo no espaço) e interoceptivos (está ligada à vida orgânica e vegetativa) em diversos níveis.

Para se obter sucesso nas atividades, é preciso planejar o trabalho que será realizado e estabelecer os objetivos que deverão ser atingidos, mesmo que não possua uma data preestabelecida para tal. Os conteúdos trabalhados podem ser funcionais e relacionais.


Em se tratando dos conteúdos funcionais, são destacados como: coordenação motora global, que possibilita desafios e dificuldades na água; tônus e postura, que podem ser modificados de acordo com o empuxo e ação da gravidade; equilíbrio, que também se altera devido a estes itens; esquema corporal; que bem trabalhado irá ajudar a criança a se adaptar em relação a espaço e tempo; espaço e tempo propriamente ditos e estimulação do desenvolvimento cognitivo. Já no aspecto relacional, observa-se o comportamento do indivíduo diante de diferentes situações, relacionadas com objetos, espaço, tempo e às pessoas, abordando conteúdos como criatividade, afetividade, espontaneidade, agressividade e comunicação.

Fonte: Aqua Brasil

Fisioterapia e Síndrome de Down



O bebê que tem  síndrome de Down requer alguns cuidados após o nascimento e ao longo de seu desenvolvimento, por conta das características decorrentes da trissomia 21.
Uma dessas características é a hipotonia muscular  (os bebês nascem mais “molinhos”) e a frouxidão dos ligamentos(juntas flexíveis). Por isso, o bebê tende a manter uma postura mais relaxada, já que seus músculos são menos tensionados e as articulações são mais frouxas.

A fisioterapia pode colaborar especificamente para o desenvolvimento motor da criança, ajudando-a se movimentar de maneira correta e no fortalecimento físico. No entanto, ressaltamos que o bebê só deve iniciar a atividade após autorização do médico que o acompanha. No caso de crianças com síndrome de Down que nascem com algum tipo de cardiopatia grave, por exemplo, qualquer exercício é contraindicado até que o problema seja tratado.

A participação dos pais e familiares nesta fisioterapia é fundamental, tanto no sentido de troca com o terapeuta – os pais poderão explicar melhor o contexto em que a criança vive, bem como relatar seu desenvolvimento – como para garantir a continuidade desta terapia em casa, no dia a dia, incluída na rotina doméstica.

O bebê pode começar a fisioterapia desde o nascimento para que, com os exercícios, consiga sustentar o pescoço, rolar, sentar-se, arrastar-se, engatinhar, ficar em pé e andar, minimizando os efeitos motores da síndrome de Down.

Nos primeiros seis meses de vida, as atividades propostas na fisioterapia são chamadas de estimulação precoce, pois devem começar já desde o nascimento. A fisioterapia pode facilitar o desenvolvimento motor do bebê por meio de exercícios e em casa. Desde que orientados por um profissional, os pais também podem ajudar.

Propriocepção


A propriocepção, também chamada de cinestesia, é a capacidade de perceber onde está cada parte do corpo, sendo que existem dois grandes tipos de propriocepção, que incluem:

Propriocepção consciente: é obtida através de receptores sensoriais, chamados proprioceptores, que permitem tocar com o dedo na ponta do nariz de olhos fechados, por exemplo;
Propriocepção inconsciente: ​são atividades involuntárias executadas pelo sistema nervoso central para regular atividades musculares, como as contrações do coração.
Além disso, a propriocepção indica se as várias partes do corpo estão coordenadas para o movimento que se está tentando fazer, seja ele caminhar, saltar ou ficar de cabeça para baixo, por exemplo, evitando que se perca o equilíbrio.

Assim, a realização de exercícios de propriocepção em consultas de fisioterapia é importante, não só para melhorar o equilíbrio e os movimentos precisos do corpo, mas também para evitar a piora de lesões esportivas, como distensão muscular, ensinando o corpo como se movimentar para proteger a área afetada.



Fonte: Tua Saúde

Mitos e verdades em Reumatologia


Mito:
"Reumatismo é doença de velho".

Fato:
Em primeiro lugar o termo “reumatismo” é um termo popular consagrado para se referir a alguma das muitas doenças que podem ter manifestações no sistema músculo esquelético. Além disso estas doenças podem ocorrer em qualquer faixa etária.

Mito:
"Reumatismo ataca no frio".

Fato:
O ambiente mais frio apenas aumenta a sensibilidade e a percepção dolorosa levando o paciente a acreditar que a doença “atacou” por causa do frio.

Mito:
"Reumatismo no sangue".

Fato:
Este é uma expressão criada há muitos anos pelos próprios médicos para aqueles pacientes com dor e alguma alteração nos exames laboratoriais (“exames de sangue”) sem que necessariamente houvesse doença.

Mito:
"Exames para reumatismo".

Fato:
O termo “reumatismo” é vago como já foi mencionado acima. Os exames, quando solicitados, levam em consideração a queixa e o exame físico de cada paciente. A grande maioria deles é inespecífica e devem ser analisados com muito cuidado. Além disso muitos destes exames podem estar alterados em indivíduos saudáveis.

Mito:
"FAN positivo, o paciente tem lupus".

Fato:
Este exame laboratorial geralmente é positivo no lupus eritematoso sistêmico. Contudo também pode estar presente em várias outras doenças, pelo uso de determinados medicamentos e até mesmo em pessoas saudáveis.

Mito:
"Fórmula para reumatismo".

Fato:
Isto não exite. Cada doença tem seu esquema terapêutico definido. Esta tal “fórmula” geralmente consiste num coquetel de drogas com efeito paliativo e freqüentemente associado a uma grande quantidade de efeitos colaterais.

Mito:
"Dor nas articulações significa reumatismo".

Fato:
Dor articular é uma manifestação clínica como outra qualquer. Pode estar presente em diversas patologias sem qualquer relação com “reumatismo”.

Mito:
"Alimentos ácidos aumentam o ácido úrico".

Fato:
O ácido úrico é um produto do metabolismo de uma variedade de proteínas chamada purinas. Já os encontrados em frutas e alimentos são o ácido cítrico, o ácido ascórbico e o ácido acético. Tem em comum apenas o fato de serem ácidos.

Mito:
"ASLO elevado indica reumatismo".

Fato:

Este exame laboratorial apenas indica presença de anticorpos contra uma bactéria chamada Streptococo. Pode estar elevado na maioria das infecções respiratórias, inclusive uma simples gripe, e permanecer elevado por muitos meses.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Fisioterapia e a psicomotricidade em idosos




A velhice envolve dois processos, sendo um fisiológico, (denominado senescência) e outro metabólico (chamado de senilidade). Envelhecer é viver, viver é mover-se, essa afirmativa é tomada como base para as justificativas de programas de prevenções e de reabilitação psicomotora (Fonseca, 1998). 

O envelhecimento é um processo contínuo e inevitável, que constitui uma etapa da vida onde é preciso estudar, tendo em vista que ocorre uma série de modificações que necessitarão de adaptações. Tais modificações somáticas, psíquicas, psicomotoras serão combatidas com medidas reabilitativas ativas e preventivas. Em tal sentido a psicomotricidade pode exercer um efeito principalmente preventivo.

Todo indivíduo idoso tem sua carga de experiência própria, é um ser especial, único e tem o direito de ser tratado como tal, ter total liberdade para explorar todo o universo em que viveu durante o longo dos anos, seja ele normal ou portador de alguma limitação. A realização de uma proposta de atuação da Fisioterapia Preventiva na psicomotricidade em idosos é de responsabilidade daqueles que formam o mundo atuante da promoção da saúde, e dos cuidadores e/ou familiares que convivem no dia-a-dia do idoso. Pois é neste ambiente de integração, que o individuo tem a oportunidade de desenvolver seu lado psicomotor, sua capacidade física, mental e social, fazendo com que haja uma melhora na qualidade de vida. Isso ajuda a combater e /ou prevenir a instalação de doenças físicas e mentais, despertando assim, o desejo de agir, ou reagir sobre os estímulos que lhe são oferecidos, e voltando a se sentir parte da sociedade em que vive, como peça fundamental.

Desse modo, torna-se compreensível a importância de uma proposta de atuação da Fisioterapia Preventiva na psicomotricidade em idosos, como forma de proporcionar à estes uma melhora no âmbito relacionado a promoção da saúde e, principalmente, a qualidade de vida desses idosos por meio da potencialização de suas capacidades, não esquecendo de levar em consideração suas necessidades e características biopsicossociais dessesindivíduos. 

O papel da fisioterapia é promover atitudes e atos de uma forma global, atuando como resultado a uma excelente estado de saúde, no aspecto funcional como na melhoria da qualidade de vida. Trata-se de uma filosofia holística que tem por objetivo estabelecer o equilíbrio entre o corpo, o individuo, o ambiente e a cultura. O fisioterapeuta deve dar o exemplo, mantendo hábitos de vida sadios e promovendo essa filosofia de promoção de saúde. 

Em pessoas idosas, com dificuldades posturais e de locomoção, deve-se realizar movimentos de forma sistemática, porém com condutas psicomotoras que sucederão movimentos especificamente humanos, com o intuito de serem realizados de forma consciente, intencional e sensível.

A atividade psicomotora é absorvida pela maioria das pessoas, em gradientes progressivos da mais simples para a mais complexa atividade. Tais atividades irão estimular o raciocínio e possibilitam recursos ilimitados de ações.
SUGESTÕES DE EXERCÍCIOS:

- Técnicas de auto-alongamento e mobilização ativa e ativo-assistida, onde serão trabalhados os membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII) através de exercícios de flexo-extensão e circundução de dedos das mãos, punhos, ombro, e tornozelo e joelho.

- Rolar – deitado no solo, em decúbito dorsal e rolar com braços estendidos no prolongamento dos ombros, estendidos acima da cabeça;

- Engatinhar, atuando na estimulação do tônus muscular, através do fortalecimento da musculatura dorsal antigravitacional;

- Engatinhar com as pernas estendidas, atuando na estimulação do equilíbrio e da postura ereta;

- Marcha com elevação dos joelhos; marcha com movimentos alternados de braços e pernas, para frente e para trás; marcha cruzada, trabalhando a lateralidade com a rotação de tronco e a postura ereta;

- Equilíbrio com um pé elevado à frente; equilíbrio com um pé elevado atrás; equilíbrio com o braço apoiado no colega ao lado, atuando na coordenação dos movimentos;

- Manipulação em forma de pinçamentos, oponência dos dedos, pronação e supinação, dobrar papel aprimorando a manipulação e estabelecendo / restabelecendo a motricidade fina;

- Coordenação óculo-manual, através de atividades como arremessar, pegar, lançar, tocar, bater, com objetos de tamanhos variados, estimulando a lateralidade, coordenação, equilíbrio e organização espaço-temporal.


Fonte: Faça Fisioterapia

Hidrocinesioterapia



Hidrocinesioterapia. A hidroterapia ou terapia aquática é o termo mais conhecido atualmente, para os exercícios terapêuticos realizados em piscina termo-aquecida. Tem por finalidade a prevenção e cura das mais variadas patologias.

               
Sua utilização exige do fisioterapeuta conhecimentos das propriedades da hidrodinâmica (água em movimento) e termodinâmicas da água assim como a anatomia, fisiologia e a biomecânica corporal.

A terapia em ambiente aquático tem grande valor terapêutico quando necessita nenhuma ou mínima sustentação de peso ou quando há inflamação, dor, retração, espasmo muscular, limitação da amplitude de movimento e força, que podem, de maneira isolada ou conjunta, alterar as funções hegemônicas do corpo humano, como: respiração, alimentação, postura estática com o olhar horizontal com o menor gasto energético e a reprodução.

A água revela qualidades terapêuticas quando ministradas dentro de um limite de temperatura e tempo. O tempo pode variar inicialmente entre 5 e 15 minutos, e evoluindo gradativamente de acordo com a aceitação, ganho de resistência muscular e condicionamento cardiovascular do paciente chegando até 2 horas de duração.

A compreensão do movimento na água e da sua diferença em relação ao movimento no solo é essencial para o planejamento de uma progressão gradual de exercícios de hidroterapia. O tipo de lesão, a composição corporal do paciente e sua habilidade aquática determinam os tipos de exercícios, a postura ideal, a velocidade do movimento, a profundidade da água e os equipamentos a serem usados a cada fase do tratamento.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

As vantagens e as indicações no tratamento são inúmeras. O paciente experimenta todos os efeitos que a água pode oferecer. Dentre elas podemos destacar:

a) Flutuação - (atua no suporte as articulações enfraquecidas e é capaz de proporcionar assistência e, progressivamente, resistência ao movimento na água);

b) Pressão hidrostática - (ajuda na estabilização das articulações enfraquecidas; ajuda a diminuir o edema e melhorar a circulação; o aumento da circulação periférica, que melhora a condição da pele que foi afetada por uma imobilização e acelera a cura ao implementar a nutrição na área lesada);

c) Circulação – (aumenta com a adição de calor, como em temperaturas mais elevadas da água 32º a 35°C, ajudam a diminuir o espasmo muscular, estimulando o relaxamento dos tecidos moles e, em alguns casos, reduzindo a dor);

d) Redução do espasmo muscular e da dor, auxilia no movimento que pode ser iniciado mais cedo após a lesão.

A movimentação precoce restaura a função muscular através da circulação (melhor nutrição das estruturas lesadas) e da amplitude de movimento articular. Também diminui a atrofia muscular e a formação de tecido cicatricial (fibrose intramuscular e artrofibrose). O excesso de tecido cicatricial pode ser resultante da inatividade por um longo período de imobilização. Como o tecido cicatricial pode restringir severamente o movimento, é benéfico iniciar o quanto antes exercício de amplitude de movimento considerando os limites do paciente.

Após lesão ou imobilização, a hidroterapia facilita o movimento por meio de redução das forças gravitacionais combinada com os efeitos da hidrodinâmica. Pacientes com incapacidade de realizar exercícios com sustentação de peso podem começar a reabilitação mais cedo na piscina devido à diminuição das forças compressivas sobre as articulações sustentadoras de peso. Sendo este, às vezes, o único meio em que permite movimentos para pacientes com incoordenação, deficiência ou incapacidade.

Como em qualquer outro tipo de terapia existem as desvantagens do tratamento no meio aquático. As que estão em mais destaques são: a hidrofobia (medo de água), o alto custo do tratamento e o período de frio intenso.

INDICAÇÕES E CONTRA-INDICAÇÕES

A hidroterapia é indicada para todas as áreas da fisioterapia que envolvam problemas de ordem traumato-ortopedicos, esportivos, neurológicos, reumáticos, cardiopatas, pneumopatas, estéticos, etc

As indicações mais comuns para um tratamento hidroterápico são para os pacientes que apresentam os seguintes sinais e sintomas:

Elevado nível de dor

Edemas de extremidades

Desvios da marcha

Diminuição da mobilidade

Fraqueza muscular generalizada

Baixa resistência muscular

Impossibilidade de sobrecarga nos membros inferiores

Resistência cardiovascular diminuída

Contraturas articulares

Disfunções posturais

Habilidades diminuídas

Interação social do paciente

Outros....

Como em qualquer modalidade de tratamento, existem também as contra-indicações à terapia em piscina e em alguns casos são necessários precauções a fim de prevenir a proliferação de doenças e constrangimentos ao paciente.

As contra-indicações são consideradas absolutas ou relativas de acordo com a gravidade da patologia. As que devem ser mais observadas são:

Doenças transmitidas pela água (infecções de pele - tinea pedis e tinea capitis) - A

Febre acima de 38°C - A

Insuficiência cardíaca - A

Pressão arterial descontrolada - A

Incontinência urinária e fecal - R

Epilepsias - R

Baixa capacidade pulmonar vital - R

Doenças sistêmicas - R

Sintomas de trombose venosa profunda - A

OS PRINCÍPIOS FÍSICOS

O entendimento dos princípios físicos da água (hidrodinâmica e hidrostática) e termodinâmica faz da hidroterapia um recurso ímpar no processo de reabilitação. Cada princípio físico tem a sua resposta específica, que quando associadas às ações mecânicas do terapeuta e a temperatura da água produz um efeito satisfatório e rapidamente sentido pelo enfermo.

HIDRODINÂMICA x HIDROSTÁTICA

Pode-se dizer que a movimentação da água (hidrodinâmica), a torna única e exclusiva no que diz respeito a sua terapêutica. O conhecimento da hidrodinâmica e da hidrostática tornará possível à seleção da posição do paciente, a profundidade da imersão e os equipamentos ideais para os tratamentos com a hidroterapia.

Os princípios físicos da água são: densidade relativa, turbulência, metacentro, fricção, viscosidade, empuxo, pressão hidrostática, tensão superficial. Cada um destes princípios exerce determinada resposta nos órgãos e sistemas.



Densidade Relativa

A densidade relativa é definida entre a relação de massa (Kg) e volume (m3). Na água, esta relação é na ordem de 1 (um). E, segundo o princípio de Arquimedes (287-212 a.C.), quando um corpo é submerso em um líquido, ele sofre uma força de flutuabilidade igual ao peso do líquido que desloca. Como cada parte do corpo possui uma densidade específica, ou seja, um peso específico. Num corpo, a distribuição de massa gorda (gordura) e massa magra (músculos) e o peso dos ossos se fazem de forma heterogênea, e, portanto, algumas partes do corpo tende a afundar mais do que outras devido a sua gravidade específica.

O peso corporal está divido em:

8 % cabeça

18 % Membros superiores

36 % Membros inferiores

38% Tronco

Metacentro

O quadril e os membros inferiores possuem maior densidade, pois são constituídos em quase sua totalidade de ossos e músculos longos e volumosos, por isso, tendem a afundar. Como a cabeça e tronco por terem em sua constituição de líquido e ar respectivamente, tendem a flutuar e o quadril se torna um eixo no qual os membros inferiores se apóiam e afundam, realizando um movimento rotacional vertical até que o seu equilíbrio seja encontrado. Este movimento rotacional é o resultado do equilíbrio entre as forças da gravidade e empuxo. Esse princípio é conhecido como metacentro (princípio de Bougier).

Turbulência

Durante o movimento rotacional, o corpo é embalado numa velocidade proporcional ao peso, forma e tamanho do segmento criando uma leve turbulência de fluxo laminar que se segue ao longo de uma linha aerodinâmica em um fluxo estável de líquido (Teoria de Bernoulli). Quanto maior a velocidade, maior será o fluxo obtido produzindo energia cinética.

Fricção

Porém, essa velocidade não é real visto que os princípios da fricção (atrito), viscosidade (atrito interno do líquido – adesão e coesão molecular), pressão hidrostática, turbulência, empuxo e tensão superficial oferecem uma quantidade de resistência ao movimento.

A fricção, segundo Froud (1810-1879) e Zahm (1862-1945) é a resistência causada pela textura da superfície do corpo durante seu movimento na água.

Viscosidade

É a resistência de um fluído em deslocamento e também se refere à magnitude do atrito interno do líquido relacionado à força de coesão molecular. A coesão molecular pode ser considerada como a atração das moléculas entre si, e quando as camadas do líquido são postas em movimento, essa atração cria resistência ao movimento e é detectada como atrito.

Pressão Hidrostática

A pressão é definida como a relação de força por unidade de área, em que a força é suposta atuando perpendicularmente a área de superfície. Dessa forma, durante o repouso em uma determinada profundidade, o fluído exercerá uma pressão em todas as superfícies corporais submersas. Segundo Pascal, que a pressão de um fluido é exercida de forma igual em qualquer nível em uma direção horizontal, o que significa que a pressão é igual em uma profundidade constante.

Empuxo

De acordo com Arquimedes o resultado do efeito do empuxo é a flutuação. A força de flutuabilidade age na direção oposta a da força da gravidade e é responsável pela sensação de ausência de peso na água.

Tensão Superficial

A tensão superficial é definida como a força por unidade de comprimento que atua através de qualquer linha em uma superfície e tende a atrair as moléculas de uma superfície de água exposta. A força resistiva da tensão superficial torna-se uma variável ativa na medida em que a área da superfície aumenta.

TERMODINÂMICA

A propriedade termodinâmica da água significa que ela possui a capacidade de absorver e transferir grandes quantidades de calor. Ela é usada como padrão, e possui um calor específico de 1 (UN), isto é, é necessária uma caloria para elevar um grama de água em um grau centígrado.

A utilidade terapêutica da água depende da sua capacidade de reter quanto a sua capacidade de transferir calor. Uma água quente em hidroterapia é considerada a uma temperatura acima de 34º C; uma água termoneutra entre 31ºC a 33ºC; e uma água fria entre 28ºC e 30º C. Essa troca de energia na forma de calor é conhecida como processo termolítico e ocorre através de mecanismos físicos conhecidos como condução, convecção, radiação e evaporação.

OS EFEITOS TERAPÊUTICOS DA HIDROTERAPIA

Os efeitos terapêuticos desejados com os exercícios na água estão relacionados ao alívio da dor e do espasmo muscular, relaxamento, manutenção ou aumento da amplitude de movimento, reeducação dos músculos paralisados, fortalecimento dos músculos (força e resistência), melhora das atividades funcionais da marcha, aumento da circulação, integração sensório-motora e reforçamento do moral do paciente pelo convívio social, atividades recreacionais e a liberdade de movimento.

Estes efeitos são atingidos, graças à termodinâmica da água que favorece a diminuição da dor, do espasmo muscular, produzindo o relaxamento.

À medida que a dor diminui o paciente é capaz de experimentar um maior conforto e um aumento significativo na amplitude do movimento, explorando sua liberdade.

O RELAXAMENTO

A resposta de relaxamento depende do grau de intimidade e liberdade do paciente com a água. Quanto mais habilidade for demonstrada na piscina, mais fácil serão a imposição da terapia com o efeito desejável.

A água aquecida provoca um relaxamento das fibras musculares através do processo de condução entre a temperatura da água e da pele e que por sua vez irá transmitir o calor até as estruturas mais internas, reduzindo a tensão muscular pelo relaxamento das fibras musculares.

Outro aspecto importante é a redução das forças compressivas, pela força do empuxo minimizando a ação do sistema tônico postural. Uma vez reduzida à atividade tônica postural, os músculos responderão rapidamente a um relaxamento.

 REDUÇÃO DA SENSIBILIDADE A DOR E DOS ESPASMOS MUSCULARES

A água termo-aquecida ajuda no alívio da dor, na diminuição do tônus muscular anormal do espasmo muscular. Na imersão, os estímulos sensoriais do calor estão competindo com os estímulos da dor, como resultado, a percepção de dor do paciente fica enganada ou bloqueada, pois a velocidade de condução do estimulo do calor é mais rápido que o da dor. O estímulo do calor sendo rapidamente codificado pelo sistema nervoso central envia uma resposta instantânea para o local da dor, promovendo a diminuição do reflexo de defesa e do espasmo muscular protetor provocado na articulação afetada.

Os princípios físicos do empuxo e pressão hidrostática também favorecem a minimização da dor, pela pressão exercida no segmento estimulando os receptores cutâneos e pela diminuição da sobrecarga corporal.

 AUMENTO DA AMPLITUDE

As propriedades hidrodinâmicas e termodinâmicas da água auxiliam o terapeuta no ganho da amplitude articular. Ao imergir na piscina, o efeito de flutuação fará com que o paciente perceba uma diminuição da sobrecarga corporal. A diminuição da sobrecarga na articulação resulta numa diminuição da força compressiva articular, aliviando a dor. O alívio da dor somado com o efeito termodinâmico da água relaxa os músculos que envolvem a articulação, aumenta o aporte de sangue circulante, remove os produtos imprestáveis do metabolismo e auxilia na movimentação articular melhorando a produção de líquido sinovial facilitando os movimentos proferidos pela articulação.

A pressão hidrostática influencia no ganho da amplitude auxiliando na remoção de edemas, liberando a articulação.

AUMENTO DA FORÇA

O aumento da força muscular é dado pela resistência que a água produz no segmento do corpo imergido. As propriedades de fricção, viscosidade, pressão hidrostática e empuxo são os grandes responsáveis pelo trabalho de força muscular. A água permite maior resistência ao movimento do que o ar (em torno de 700 vezes mais), permitindo que as articulações fiquem mais livres. As partes submersas do corpo encontram resistência em todas as direções dos movimentos.

Existem 3 tipos de contrações conhecidas como isotônica concêntrica, isotônica excêntrica e a isométrica. Essas contrações vão estimular os músculos a recrutarem fibras para a produção da contração, porém essas fibras se desenvolverão sarcômeros paralelos e em séries aumentando a força do músculo. Uma vez que o membro encontre resistência em todas as direções de movimentos de forma excêntrica, as fibras musculares começam a produzir sarcômeros em série, melhorando a eficácia da contração muscular e fornecendo resistência ao músculo, pois na água os movimentos são mais consistentes e uniformes quando mantidos a uma velocidade constante. Porém, o risco de lesão é maior. Neste tipo de contração pode haver microtraumas nos tecidos musculares, e, estes por sua vez, promoverão a reparação tecidual, levando o músculo a um processo de hipertrofia.

Um cuidado em especial no trabalho de recuperação da força muscular, é quanto à questão das lesões musculares que podem ocorrer durante o processo de reabilitação e condicionamento que são:

Dor durante o esforço físico – pelo acúmulo de ácido lático e perda de sais minerais (sódio, potássio, magnésio);

Dor 24/48 horas após o esforço – decorrentes de microlesões musculares por uma relação de volume e intensidade do exercício exagerada;

Dor decorrente de câimbras - (por distúrbio hidroeletrolítico e descargas elétricas)

 AUMENTO DA CIRCULAÇÃO

Após a imersão, a pele começa a absorver o calor da água. O aumento da temperatura da pele e repassado as estruturas mais internas do corpo produzindo o efeito de vasodilatação.

A vasodilatação faz aumentar o aporte de sangue circulante na periferia. A dilatação dos vasos associada aos efeitos produzidos pelos exercícios aumenta o suprimento sangüíneo para os músculos, e, com isso, os fluídos dos tecidos movimentam-se livremente nas estruturas lesionadas, removendo os metabólitos retidos, o que aumenta a nutrição e ajuda a aumentar a velocidade do processo de cicatrização, sendo este processo fortemente influenciado pela pressão hidrostática.

EQUILIBRIO, ESTABILIDADE E CONSCIÊNCIA CORPORAL.

A água estimula a consciência da movimentação das partes do corpo e propicia um meio ideal para a reeducação dos músculos envolvidos (integração sensorial). As propriedades da água dão ao paciente com pouco equilíbrio tempo para reagir quando tendem a cair. As respostas de reequilíbrio permitem a realização do trabalho de propriocepção uma vez que todos os captores (sensoriais) do corpo estão envolvidos neste trabalho.

A imersão leva a percepção de que o corpo está mais leve. Sentida essa sensação os captores que estão presentes na planta do pé, nas articulações, nos músculos, na pele, nos ouvidos e na visão, eles perdem a referência espacial. Ao produzirmos um desequilíbrio no paciente as reações se farão rapidamente para evitar a queda, porém as propriedades físicas da água de viscosidade, fricção, pressão hidrostática, tensão superficial, empuxo e metacentro retardam a queda promovendo assim uma melhoria no equilíbrio, na estabilidade e na consciência corporal.

INTEGRAÇÃO SENSÓRIO-MOTORA

Na reabilitação aquática, os vários sentidos do corpo são estimulados promovendo uma integração sensório-motora de grande valor terapêutico, principalmente nas lesões de origem nervosa.

Na água, os sentidos do tato, visão e propriocepção são estimulados, pois, a pressão da água exerce uma força sobre os mecanorreceptores da pele -Meissner e Merkel - que vão de maneira superficial ou profunda, estimular o corpúsculo. Os corpúsculos de Krause e Ruffini, localizados também na pele, respondem ao estímulo do frio e calor respectivamente estando controlado pelo hipotálamo anterior e posterior.

          As estimulações destes mecanorreceptores produzem informações sensoriais que vão informar as condições de pressão e temperatura, para que o organismo reaja frente às mudanças ocorridas.

REFORÇO DA MORAL E LIBERDADE DE MOVIMENTO

O ambiente aquático faz com que o paciente relaxe mais, e sinta uma liberdade de movimento, o que ajuda na reabilitação. Os riscos de quedas diminuem e com isso o medo também. Os exercícios de grupos encorajam pacientes e trazem apoio e motivação a todos os participantes do programa.

A hidroterapia pode proporcionar variedade e mesmo algum divertimento ao programa de reabilitação.

O prazer da atividade aquática leva ao indivíduo uma sensação de relaxamento, leveza, liberdade e experimento, tornando as sessões mais agradáveis e proporcionando a interação social.

 Ft. Gutemberg de Castro Freitas Júnior

Pós-graduado em Reabilitação Aquática e Biomecânica

Docente da Universidade Estácio de Sá

Professor de Watsu 1

Instrutor do método Halliwick

Atuação nas técnicas de Jahara, Bad-Ragaz


Autor do livro: A cura pela água: Hidrocinesioterapia. Editora Rio, 2005.