quinta-feira, 16 de julho de 2015

Entrevista: Hérnia de disco

Dr. Osmar José dos Santos de Moraes é neurocirurgião, responsável pelo Setor de Diretrizes e Condutas da Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral. Marcos Ramon Dvoskin, jornalista e empresário, teve dois quadros de hérnia de disco: um, na coluna lombar e o outro, na coluna cervical.



A coluna vertebral é composta por 33 vértebras: sete cervicais, doze torácicas, cinco lombares, cinco sacrais fundidas formando o osso sacro e quatro coccígeas também fundidas e formando o cóccix. Dentro delas há um canal por onde passa a medula nervosa ou medula espinhal.
Entre as vértebras cervicais, torácicas e lombares, localizam-se os discos intervertebrais, que têm o feitio de um anel constituído por tecido cartilaginoso e elástico cuja função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra e amortecer o impacto. A hérnia de disco aparece quando parte dessa estrutura sai de sua posição normal e comprime as raízes nervosas que emergem da coluna e se dirigem para o resto do corpo.
Hérnia de disco pode ser assintomática ou provocar dor de moderada e leve intensidade até dor muito forte e incapacitante.
FORMAÇÃO E PREVALÊNCIA
Drauzio – Como se forma a hérnia de disco?
Osmar José S. de Moraes – A coluna vertebral sustenta todos os ossos do corpo. Como a carga que suporta é muito grande, possui um sistema de amortecimento para dar-lhe estabilidade. As estruturas mais importantes desse sistema são os discos intervertebrais constituídos por um tecido elástico que suporta deformação, mas que se desgasta com o uso repetitivo. Esse desgaste favorece o aparecimento de pequenas rupturas que facilitam o extravasamento de parte do disco, ou seja, a formação de uma hérnia, ocorrência muito mais comum do que se imagina, mas, geralmente, de boa evolução.
Drauzio – Qual é prevalência da hérnia de disco na população?
Osmar José S. de Moraes – Acredita-se que 15% da população mundial tenham algum tipo de protusão ou herniação discal. Ou seja, aproximadamente 800 milhões de pessoas no mundo são portadoras de algum tipo de alteração anatômica na coluna vertebral.
Drauzio – As hérnias de disco costumam aparecer em que região da coluna?
Osmar José S. de Moraes – No indivíduo normal (imagem 01), a porção inferior da coluna que se articula com os membros inferiores é constituída por cinco vértebras fundidas que formam o osso sacro. Imediatamente acima, estão as vértebras lombares, as torácicas e as cervicais, separadas umas das outras por discos de tecido fibroso que funcionam como amortecedores de impacto.
As hérnias de disco são mais frequentes nas regiões lombar e cervical da coluna, porque essas são áreas mais expostas ao movimento e que suportam maior carga. Já menos de 10% do total de hérnias se formam na coluna torácica, onde o desgaste do disco é menor, uma vez que o gradeado costal (as costelas) impede movimentos mais bruscos e ajuda a promover o amortecimento.
PRIMEIRO RELATO
Drauzio – Marcos, como e quando você apresentou o primeiro episódio de hérnia de disco?
Marcos Ramon Dvoskin – Pratico esporte regularmente. No final de 2005, comecei a sentir uma dor lombar que se irradiava para a perna esquerda. Procurei um médico, parei com o esporte e comecei a tomar medicamentos anti-inflamatórios. Em dois ou três meses, a dor desapareceu e voltei a fazer exercícios.
Drauzio – A dor ficava mais forte em algum momento?
Marcos Ramon Dvoskin – Era uma dor contínua, embora não tão forte como a que tive na região da coluna cervical. Essa ia aumentando de intensidade e tomava todo o braço esquerdo. Na verdade, nunca senti dor nas costas. A dor começou na parte de cima do braço e foi progredindo até atingir a mão. Eu sentia também muito formigamento nos dedos polegar, indicador e médio.
Embora os sintomas fossem piorando, a maioria dos médicos que procurei na ocasião me aconselhou a não fazer cirurgia, porque as estatísticas mostravam que esse quadro regride naturalmente com o tempo e o uso de medicação.
Acho importante insistir no fato de que o processo doloroso era crescente e chegou a um ponto em que poderia defini-lo como uma dor de dente do tamanho do braço. No último mês antes da cirurgia, precisei tomar morfina. Primeiro a cada doze horas, depois de dez em dez e, por fim, de oito em oito horas.
EVOLUÇÃO
Drauzio – Como evoluem os quadros de hérnia de disco?
Osmar José S. de Moraes – A sustentação da coluna é feita pela musculatura. Pouco exercício e excesso de peso podem provocar gradativamente a falência desse sistema muscular e o aparecimento de uma dor lombar que piora com o exercício.
Com muita frequência, quem sofre da coluna lombar acaba tendo também problemas na coluna cervical, porque para compensar o desconforto que sente nas costas, vai mudando a curvatura da coluna, que é constituída por uma sequência de vértebras e articulações. Essa é a evolução típica da enfermidade.
Em geral, os quadros lombares respondem bem ao tratamento conservador. As estatísticas mostram que 90% dos pacientes com doença lombar não precisam de nenhum outro tratamento além de um pouco de repouso, analgésicos e desenvolver alguns bons hábitos. O mesmo não acontece quando a lesão se localiza na coluna cervical.
Drauzio – Nesse contexto, o que se entende por “bons hábitos”?
Osmar José S. de Moraes – Basicamente, desenvolver “bons hábitos” significa respeitar as normas estabelecidas pela Ergonomia, no dia a dia. O indivíduo deve aprender a sentar-se de forma adequada, com as pernas dobradas em 90º, e por não mais que 40, 50 minutos seguidos. Deve praticar atividade física regular, anaeróbica ou aeróbica, e manter bom padrão de alongamento, pois é certo que, com o passar dos anos, os discos diminuem de tamanho e todos perdemos um pouco de altura. Portanto, quem faz exercícios e alongamentos com regularidade melhora a circulação e tem menos problemas de coluna. Além disso, está estatisticamente comprovado que os fumantes são mais vulneráveis aos problemas de coluna do que os não fumantes e que diabetes e hipertensão são comorbidades associadas que comprometem o resultado do tratamento conservador.
CARACTERÍSTICAS DA DOR
Drauzio – Marcos disse que a dor lombar irradiava para o membro inferior esquerdo. Pegava a perna inteira?
Osmar José S. de Moraes – A dor se irradiava pela coxa inteira e alcançava a parte posterior do joelho.
Drauzio – Qual é a explicação para esse tipo de dor?
Osmar José S. de Moraes – Vamos destacar um segmento da coluna (imagem 02), uma vértebra e um disco normal funcionando como amortecedor. Nesse caso, ele está distante do local por onde passam os nervos. O que aconteceu com Marcos? Com o passar do tempo, essa estrutura sofreu uma pequena fissura, rompeu-se, permitindo, assim, que um pedaço do disco escapasse e fosse pressionar a raiz do nervo que sai de dentro da coluna, entre a quarta e quinta vértebra. No momento da rutura, ocorreu um trauma e formou-se um hematoma, que foi regredindo aos poucos até praticamente desaparecer.
Marcos, então, voltou a levar vida normal. Durante o período em que sentiu dor, porém, ele provavelmente alterou a curvatura da coluna e sobrecarregou a área cervical, que já devia ter algum comprometimento, e desenvolveu uma hérnia de disco nessa região.
SEGUNDO RELATO
Drauzio – Quando as dores lombares começaram, você ficou de cama?
Marcos Ramon  Dvoskin – Não, absolutamente. Sentia apenas uma dor chatinha, inconveniente para o trabalho, mas que foi facilmente tratada. Quando o problema se manifestou na cervical, a conversa foi outra. A dor é terrível. Você não consegue trabalhar, fica impaciente, sem saúde e energia, nem vontade de comer e de dormir.
Drauzio – Os sintomas da hérnia de disco da coluna lombar regrediram em quanto tempo?
Marcos Ramon Dvoskin – Eu diria que entre o início e o fim do processo como um todo passaram-se uns trinta dias. Lembro que tomei anti-inflamatório durante 14 dias e que no décimo quinto dia estava completamente sem dor.
Drauzio – Você fez algum tipo de fisioterapia?
Marcos Ramon Dvoskin – Nessa fase, não. Já quando o problema se localizou na coluna cervical, antes de voltar a correr, Dr. Osmar aconselhou que eu fizesse sessões de fisioterapia.
DIAGNÓSTICO
Drauzio – A hérnia de disco na coluna cervical não provocou dor nem nas costas nem na nuca de Marcos, mas ele sentiu uma dor violenta no braço. Qual é o significado desse sintoma para o diagnóstico da doença?
Osmar José S. de Moraes – Embora a radiografia e a ressonância magnética ajudem, e muito, frequentemente o médico consegue fazer o diagnóstico clinico, baseando-se nas características dos sintomas e fazendo um exame neurológico cuidadoso. O local onde a dor se manifesta e a análise dos reflexos, tanto na perna quanto no braço, permitem determinar se houve ou não lesão da raiz nervosa e, caso tenha ocorrido, é possível saber qual foi a raiz afetada. Às vezes, os estudos radiológicos, tomográficos e de ressonância magnética são acompanhados de laudos que indicam hérnias, protusões e doenças que, na verdade, não refletem o quadro clínico, mas a evolução de um processo de endurecimento do disco que ocorre com o envelhecimento.
Drauzio – É possível dizer com precisão em que medida a raiz foi afetada?
Osmar José S. de Moraes – Existe um exame complementar que nos ajuda a avaliar o volume do disco que extravasou entre as vértebras. Há também exames subsidiários para estabelecer diagnósticos diferenciais com processos inflamatórios, infecciosos, derrames articulares, cistos sinuviais, tumores, tuberculose, esta última uma doença ainda frequente no Brasil.
Drauzio – Às vezes, as pessoas confundem hérnia de disco com bico de papagaio, nome popular da osteofitose  Qual a diferença entre as duas afecções?
Osmar José S. de Moraes – Entende-se por hérnia de disco o extravasamento do anel cartilaginoso situado entre as vértebras, o que pode provocar a compressão dos nervos que saem da coluna. Já o bico de papagaio é uma cicatriz óssea decorrente de microtraumas próximos ao disco intervertebral que provocam inflamação e, posteriormente, calcificações que se sobrepõem adquirindo aspecto semelhante ao do bico dessa ave.
Estudos radiológicos realizados na Europa mostraram que aproximadamente 30% da população a partir dos 50 anos de idade apresentam alguma alteração da coluna sem nenhum sintoma associado. Ou seja, essa evolução é parte natural do processo de envelhecimento.
TRATAMENTO
Drauzio – Marcos teve duas hérnias de disco: uma na coluna lombar que resolveu clinicamente e a outra na região cervical que precisou de intervenção cirúrgica. Você, como médico, distingue uma situação da outra?
Osmar José S. de Moraes – De modo geral, a hérnia de disco é encarada como uma afecção benigna. Na verdade, ela não é uma doença, mas a evolução de um quadro. Obviamente, a conduta varia conforme o caso e de pessoa para pessoa, mas as estatísticas revelam que, na primeira crise, mais de 90% dos indivíduos com dor lombar melhoram com o tratamento clínico. Os que referem sentir dor por mais de uma semana acabam melhorando com o mesmo tipo de tratamento em no máximo 30 dias. Se não houver nenhum déficit motor, portanto, são aconselhados a retomar as atividades normais depois de um ou dois dias de medicação. Se a dor persistir ou outro sintoma aparecer, é necessário encaminhá-los para um exame radiológico.
Drauzio – Marcos continuou levando vida normal apesar da dor provocada pela hérnia de disco na coluna lombar. No passado, os médicos recomendavam que esses pacientes fizessem repouso. Por que essa conduta não é mais adotada?
Osmar José S. de Moraes – O mais recente estudo sobre o assunto mostrou que o indivíduo em repouso absoluto chega a perder um grama de proteína por quilo em um dia, por causa da retração tendínea que ocorre enquanto fica na cama. Por isso, o melhor é manter algum movimento, mesmo que surja um pouco de dor que pode ser aliviada com doses mais altas da medicação.
Drauzio – O que é retração tendínea?
Osmar José S. de Moraes – Quando se mobiliza um segmento do corpo como a perna, a coxa ou o braço, a tendência é ele ir encurtando. Se a pessoa dobrar o cotovelo e deixá-lo assim por quatro semanas, por exemplo, no final o braço estará um pouco menor porque os tecidos (ligamentos, músculos, ossos) e a circulação, se não forem estimulados, serão progressivamente reabsorvidos. Por isso, não havendo déficit motor, o repouso absoluto não é recomendado. O aceitável é que o paciente repouse por 24, 48 horas, no máximo. Hoje, não mais se discute a importância de liberá-lo para continuar em atividade, desde que não seja pesada.
Drauzio – Acupuntura ajuda?
Osmar José S. de Moraes – Apesar das controvérsias que cercam todas as subespecialidades, está provado que a acupuntura funciona bem como analgésico na fase aguda.
Drauzio – Você fez acupuntura, Marcos?
Marcos Ramon Dvoskin – Fiz acupuntura na crise da coluna cervical. No meu caso, ela não funcionou, mas também tomar morfina não adiantava mais.
Osmar José S. de Moraes – A acupuntura funciona até determinado ponto da dor. Por isso, ao perceberem que a pessoa não responde bem ao tratamento, muitos acupunturistas a aconselham a procurar um médico especialista. Foi o que aconteceu com Marcos, que necessitou de uma intervenção cirúrgica, porque seu caso era mais grave.
Drauzio – Sempre me chamou atenção no tratamento cirúrgico da hérnia de disco, o fato de o paciente sentir dores terríveis que o obrigavam a tomar três ou quatro comprimidos de morfina por dia e estar completamente sem dor poucas horas depois da operação. Isso aconteceu com você?
Marcos Ramon Dvoskin – Exatamente assim. A cirurgia começou às 8 horas da noite e terminou às 2 horas da madrugada. Às 4h, eu já estava no quarto sem nenhuma dor e nunca mais senti aquela dor na minha vida.
Drauzio – É sempre esse o resultado da cirurgia?
Osmar José S. de Moraes – Quando bem indicada, se o disco estiver comprimindo mecanicamente a raiz nervosa, em geral, o resultado é esse. O grande segredo da cirurgia na coluna como um todo e principalmente na hérnia de disco é a indicação precisa. Uma vez localizado o nervo que está com o diâmetro reduzido pela metade por causa da compressão exercida por parte do disco que extravasou, é só corrigir o defeito mecânico para obter alívio completo da dor.
Basicamente, foi o que aconteceu com Marcos. Entretanto, existe um mecanismo inflamatório que ainda não é bem conhecido e, às vezes, compromete o resultado favorável das cirurgias.
Drauzio – Quantos dias você ficou no hospital?
Marcos Ramon Dvoskin – Um dia. Fui para casa 24h depois da cirurgia com a orientação de fazer repouso e usando um colar de proteção que só devia retirar para dormir num travesseiro adequado à situação.
Drauzio – Que instruções você recebeu no pós-operatório?
Marcos Ramon Dvoskin – Eu deveria andar, mas com cuidado, usando o colar cervical. Na semana seguinte, comecei as sessões de fisioterapia visando à recuperação da musculatura. Por volta de 25, 30 dias depois, voltei a caminhar e depois a correr, o que estou fazendo até hoje.
Drauzio – Nunca mais você sentiu dor?
Marcos Ramon Dvoskin – Nunca mais. Esse é um assunto encerrado em minha vida. Dele, só sobrou a marca dos pontos no meu pescoço e mais nada. Estou muito feliz, porque não posso imaginar a minha vida sem corrida.
PREVENÇÂO
Drauzio – Quais são os cuidados que uma pessoa deve tomar para prevenir a formação de uma hérnia de disco?
Osmar José S. de Moraes – Lamentavelmente, uma pequena parcela da população tem tendência genética para apresentar o problema. Entretanto, se essas pessoas praticarem atividade física regular, se tiverem a musculatura abdominal e paravertebral bem desenvolvida, mesmo que apresentem uma hérnia de disco, raramente são candidatas ao tratamento cirúrgico.
De qualquer modo, para prevenir a instalação de problemas na coluna, o importante é evitar excessos: excesso de peso, de consumo de álcool e de exercícios.
Drauzio – Levantar pesos sem o devido preparo pode ser um agravante para a hérnia de disco?
Osmar José S. de Moraes – Pode. A coluna é o eixo central do organismo. Todas as vezes que a pessoa suporta nas pernas ou nos braços um peso acima de sua capacidade, essa sobrecarga vai direto para a coluna. Por isso, sem o preparo adequado, não se deve fazer levantamento de peso.
Drauzio – Fazer alongamento ajuda a prevenir o problema?
Osmar de Moraes – Atividade física bem orientada, exercícios de alongamento e hábitos saudáveis de vida previnem o encurtamento da coluna e a formação de hérnias de disco.
Perguntas enviadas por e-mail
Graça Barranovo – Santos/SP – Hérnia de disco pode aparecer em jovens?
Osmar José S. de Moraes – Pode. Primeiro por causa da tendência genética. Depois, porque alguns jovens fazem esforços exagerados.
Norma Lúcia Moreira Santos – Salvador/BA – Qualquer problema na coluna pode ocasionar uma hérnia de disco?
Osmar José S. de Moraes – Não. A hérnia é provocada por uma fraqueza própria de uma região do disco intervetebral.
Vera Lúcia Rodrigues – São Leopoldo/RS – Uma vez operada, a hérnia pode recidivar?
Osmar José S. de Moraes – Pode. Segundo o protocolo da técnica cirúrgica mais usada, retira-se apenas a hérnia que se formou e preserva-se o resto do disco. Por isso, é fundamental manter um programa de reabilitação permanente para evitar o aparecimento de outra hérnia.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Fisioterapia Respiratória



A Fisioterapia Respiratória, pode definir-se como a intervenção no âmbito da Fisioterapia, que utiliza estratégias, meios e técnicas de avaliação e tratamento, não-invasivas, que têm como objectivo a optimização do transporte de oxigénio, contribuindo assim para prevenir, reverter ou minimizar disfunções a esse nível, promovendo a máxima funcionalidade e qualidade de vida dos utentes. A Intervenção do Fisioterapeuta em utentes com disfunção cárdio-respiratória ou em risco de as desenvolver, baseia-se no seu Exame, Tratamento e Avaliação dos resultados.

O fisioterapeuta atua nos diversos níveis do atendimento aos pacientes com disfunções respiratórias tais como Unidades de Terapia Intensiva (UTI), enfermarias, ambulatórios, home care e Unidades Básicas de Saúde (UBS). A fisioterapia tem várias abordagens no tratamento dos pacientes pneumopatas, dentre elas manutenção e/ou melhora da ventilação alveolar, prevenção de crises respiratórias, educação ao paciente, suporte ventilatório nos períodos de crise e/ou insuficiência respiratória e melhora da capacidade física.

Para atingir os seus objetivos o Fisioterapeuta utiliza técnicas manuais e/ou instrumentais, o exercício, o posicionamento, a educação e o aconselhamento. A intervenção do fisioterapeuta na área das condições cárdio-respiratórias envolve da parte deste, um exame adequado do utente, uma avaliação dos dados recolhidos que lhe permitam identificar, relacionar e hierarquizar os problemas que podem beneficiar com a sua intervenção (diagnóstico), um domínio ao nível do conhecimento e execução das técnicas de tratamento e necessidade de avaliar os resultados da sua intervenção ao nível da estrutura e função, da atividade e da participação social. A sua intervenção junto de utentes (adultos e crianças) com disfunção respiratória aguda, cronica ou cronica agudizada requer um nível de experiência que só pode ser atingido com uma prática continuada, um conhecimento actualizado, uma avaliação constante dos resultados e uma atitude crítica e reflexiva sobre a sua prática clínica.

Na UTI, devido ao quadro agudo do paciente, o atendimento fisioterapêutico está mais focado na melhora da eficiência ventilatória e/ou redução da sobrecarga dos músculos respiratórios, objetivando evitar a falência destes músculos e, conseqüentemente, a insuficiência respiratória. Para isto, o fisioterapeuta atua de diversas maneiras: prevenindo e/ou removendo o acúmulo de secreções nas vias aéreas, utilizando suportes ventilatórios invasivos e não-invasivos, modificando o posicionamento do paciente, avaliando constantemente a eficiência da troca gasosa e avaliando o estado hídrico, neurológico e nutricional do paciente. Neste caso, o conhecimento do fisioterapeuta está fundamentado nas diversas modalidades ventilatórias existentes e na escolha adequada de cada uma para propiciar o melhor benefício a cada paciente em decorrência da sua doença e sua condição clínica. Assim, o fisioterapeuta atua de maneira essencial no manuseio dos ventiladores mecânicos. Porém, devido aos problemas mais sistêmicos decorrentes das pneumopatias, o fisioterapeuta também deve considerar a prevenção e/ou a reversão da perda muscular ocorrida durante o período de internação e as demais condições osteomusculares decorrentes das imobilizações em curto, médio e longo prazo.

Na enfermaria, o fisioterapeuta atua desde os cuidados pré e pós-operatórios, mas também nas agudizações. No pré e pós-operatório o fisioterapeuta visa avaliar todos os fatores pré-operatórios que podem aumentar as probabilidades das complicações pós-operatórias e, quando considerar relevante, melhorar o condicionamento físico do paciente, para fazer com que ele tenha condições de superar as cirurgias de longa duração com o menor risco pós-operatório. No pós-operatório imediato o tratamento fisioterapêutico visa reduzir a dor do paciente, aumentar sua mobilidade, melhorar sua capacidade ventilatória e reduzir os riscos intrínsecos da hospitalização. No ambulatório, o tratamento fisioterapêutico está mais focado na melhora do condicionamento físico e na educação do paciente. A melhora do condicionamento físico objetiva aumentar a independência do paciente, reduzir a sintomatologia e, conseqüentemente, melhorar sua qualidade de vida. Além disso, a melhora da capacidade física previne e/ou melhora as comorbidades das doenças respiratórias. Neste sentido, as pneumopatias têm sido cada vez mais consideradas, sendo doenças que ocasionam diversas comorbidades que levam o indivíduo à perda da sua capacidade física. É importante notar que, independente do local em que o tratamento fisioterapêutico faz parte da reabilitação pulmonar, pode ser definido como um serviço multiprofissional contínuo para pacientes com doenças respiratórias e suas famílias, visando melhorar o nível de independência e a função do paciente na comunidade.

Desde que os períodos de internação são aqueles nos quais os pacientes têm maior perda de massa muscular, a reabilitação vem sendo direcionada dentro da UTI para reduzir ou reverter esta perda. O fisioterapeuta compreende que a inatividade física crônica nestes pacientes faz com que eles fiquem fisicamente descondicionados, reduzindo a massa muscular, principalmente de membros inferiores, piorando suas atividades de vida diária e aumentando sua falta de ar.

Esta inatividade começa com grandes esforços (subir escadas, por exemplo) e vai piorando com o tempo, levando o paciente à inatividade total, quando o indivíduo passa a ter falta de ar ou cansaço, mesmo em situações de repouso. Até muito recentemente, compreendia-se que a intolerância ao exercício do paciente com doenças obstrutivas crônicas estava relacionada às suas alterações respiratórias tais como o aumento da resistência do fluxo respiratório e a hiperinflação pulmonar, fazendo com que ele tivesse uma incapacidade de manter níveis relativamente baixos de ventilação e, por isso, que a abordagem terapêutica da limitação física era focada na melhora das necessidades ventilatórias. Entretanto, hoje se sabe que este é um processo que se inicia junto com a doença respiratória. Para se ter uma idéia de como isto ocorre, já existem evidências de que as doenças respiratórias decorrentes do tabagismo levam à perda de massa muscular, mesmo quando o indivíduo não possui disfunção respiratória.

Apesar de não ser possível inferir que todos os pacientes com doença respiratória têm perda muscular, sabe-se que as alterações musculares nestes pacientes ocorrem devido à redução da síntese protéica, da tipologia muscular, principalmente as do tipo I (oxidativas), com aumento proporcional das fibras tipo IIa e IIb (glicolíticas). Estas alterações no sistema muscular são multifatoriais e os fatores que mais sabidamente interferem são a hipoxemia crônica, o uso crônico de doses elevadas de corticóides orais, as alterações nutricionais, a inflamação sistêmica e o descondicionamento físico. Existem evidências de que o descondicionamento físico é o principal fator contribuinte para estas alterações musculares, porque, no decorrer da doença, os pacientes geralmente adotam um estilo de vida extremamente sedentário, em decorrência da falta de ar produzida pelas atividades, levando às alterações estruturais e funcionais do músculo.

Com a progressão da doença, ocorre uma piora da sintomatologia e da qualidade de vida destes pacientes, ocasionando limitação progressiva das atividades profissionais e de vida diária. Essa limitação pode se tornar um ciclo vicioso e evoluir até a dependência funcional do indivíduo, alterando sua vida social, econômica e emocional. Assim, parece que a morbidade destes pacientes não depende apenas do grau de limitação ao fluxo aéreo, mas também da severidade dos sintomas, da dispnéia e da redução na capacidade funcional.

Apesar de considerar as disfunções respiratórias de maneira sistêmica, é fundamental conhecer o diagnóstico correto do paciente, porque cada doença respiratória apresenta uma particularidade que interferirá no tratamento fisioterapêutico. Por exemplo, nas doenças respiratórias alérgicas como a asma, o fisioterapeuta terá que enfatizar a educação ao paciente, orientando-o sobre como evitar os fatores que desencadeiam as crises alérgicas tais como mofo, pó, poeira, pêlos de animais, entre outros. Isto é extremamente relevante nestes pacientes, pois, caso o fisioterapeuta tente melhorar o condicionamento físico do paciente sem que ele, paciente, tenha reduzido a sua exposição aos fatores desencadeadores de alergia, a resposta ao condicionamento físico poderá estar totalmente prejudicada. Obviamente, o programa educacional do paciente não está delimitado ao fisioterapeuta, porém o contato quase que diário do fisioterapeuta com os pacientes com doenças respiratórias facilitam estas orientações.

Outros aspectos envolvidos no programa educacional para o paciente asmático seriam o uso correto do medicamento e o conhecimento de autocuidados que ele deve tomar caso sua doença saia de controle. Esta é uma maneira muito importante de fazer com que o paciente participe de maneira ativa do tratamento da sua doença, melhorando assim sua adesão ao tratamento.

A fibrose cística ou mucoviscidose é outro exemplo da importância do conhecimento da doença respiratória sobre o tratamento fisioterapêutico. Estes pacientes apresentam uma grande produção de secreção, que pode levá-los a quadros de infecções recorrentes. Neste caso, o fisioterapeuta utiliza um conjunto de técnicas fisioterapêuticas para reduzir o acúmulo de secreção e melhorar a ventilação alveolar. O elevado consumo metabólico também deve ser considerado neste paciente e, apesar do condicionamento físico ser fundamental para o seu tratamento, ele pode ser prejudicado caso os pacientes não tenham um suporte nutricional, devidamente orientado por uma nutricionista.

No caso de um programa de reabilitação pulmonar mais focado na melhora do condicionamento físico, é fundamental que se avalie as limitações respiratórias, musculares e cardiovasculares durante o exercício. Assim, a carga de exercício pode ser adequadamente ajustada para cada paciente. A diferença entre um programa de condicionamento físico para a população de maneira geral e aquele direcionado a um paciente com doenças respiratórias está baseado na diferença entre as limitações ou fatores limitadores decorrentes da doença, bem como das alterações que ocorrem durante o exercício. Assim, por exemplo, um indivíduo "saudável" ou sem doença respiratória tende a apresentar uma limitação fundamentada no cansaço físico muscular, enquanto um paciente com doença respiratória pode ser limitado tanto por um ou mais dos diversos sistemas: muscular, respiratório e cardíaco. A limitação ventilatória pode ser tão importante no paciente com doença respiratória que ele pode necessitar de um suporte ventilatório não-invasivo durante o programa de condicionamento físico.

Em resumo, o tratamento dos pacientes com doenças respiratórias deve incluir diversos profissionais, atuando de maneira interdisciplinar, visando a melhora do quadro clínico em curto, médio e longo prazo, visando a inclusão do indivíduo na sociedade com melhor independência funcional e qualidade de vida.

O esquema dos componentes ventilatório-cardiovascular-metabólico subjacentes ao transporte de oxigénio, juntamente com o modelo de Incapacidade relacionado com o ICF (International Classification of Functioning, Disability and Health), constituem actualmente os modelos de referência para a intervenção do fisioterapeuta na área das disfunções cardio-respiratórias, permitindo uma actuação onde são tidas em conta as alterações fisiopatológicas e as suas repercussões ao nível dos vários sistemas e órgãos, a evolução e prognóstico da doença, a reversibilidade e irreversibilidade das deficiências/incapacidades, os factores de risco iatrogénicos (hospitalização, actos médicos e cirúrgicos, imobilidade e acamamento) e as características individuais de cada utente (ex. idade, morfotipo, antecedentes médicos, contexto social e cultural, expectativas, qualidade de vida).


Fonte: Wikipedia

Fisioterapia Neurológica


A Fisioterapia Neurológica atua nas doenças que acometem o Sistema Nervoso Central ou Periférico, levando a distúrbios neurológicos, motores e cognitivos.

O objetivo é avaliar os déficits funcionais e, através de exercícios direcionados, promover padrões motores adequados, melhora da força, coordenação motora e equilíbrio.

O paciente com disfunções neurológicas pode apresentar alterações complexas de movimento e função. Para a reabilitação, a fisioterapia neurológica dispõe de vários métodos e recursos específicos, promovendo um tratamento global e individualizado. O paciente é estimulado de forma que consiga reaprender e restabelecer suas funções acometidas ou se readaptar a sua nova condição, sempre mostrando seu potencial, que muitas vezes é esquecido até mesmo pelo próprio paciente.

Atua na prevenção de deformidades e otimização das funções preservadas. Assim, o objetivo final é proporcionar maior funcionalidade, independência e melhor qualidade de vida para os pacientes e familiares.

Indicações:

- Acidente Vascular Encefálico (AVE)
- Trauma Crânio-Encefálico (TCE)
- Lesão Medular (LM)
- Mal de Parkinson
- Esclerose Múltipla (EM)
- Paralisia Cerebral (PC)

- Outras doenças que acometam o SNC ou Periférico

terça-feira, 30 de junho de 2015

Sensores sem fio auxiliam o trabalho de Ortopedistas e Fisioterapeutas


A empresa Australiana dorsaVi, lançou no mercado um conjunto de sensores que são capazes de registrar e transmitir em tempo real informações sobre a atividade muscular de diversas regiões do corpo do paciente. Estes sensores permitem uma análise mais completa ao profissional de saúde, tendo em vista que pode acompanhar os dados dos sensores não só no momento da consulta e do tratamento, mas também durante as atividades diárias do paciente fora do consultório médico ou ambiente de exames.
Recentemente, a empresa recebeu permissão do governo americano, através da FDA, para distribuição do produto nos Estados Unidos. No Brasil, os sensores não só tem permissão para serem comercializados e utilizados, como já faz parte do equipamento de diversos profissionais de saúde.

Como funciona?

São colocados no paciente 2 sensores de movimento (MDMs) e 2 sensores de atividade muscular (MDEs) em um dispositivo de aplicação (DAPs) e umdispositivo de Gravação e Feedback (RFD).
O paciente “veste” os sensores durante o período de análise (tanto dentro quanto fora da clínica ou de ambientes de consulta). Os sensores medem os movimentos e a atividade muscular do paciente que é gravada são enviadas, através do RFD, para um software que fornece ao profissional de saúde umrelatório completo sobre a atividade do seu paciente.
Como funciona o ViMove

Prática clínica (ViMove)

O ViMove pode ser utilizado por diversos profissionais de saúde que tem como objetivo o tratamento e prevenção de lesões e problemas relacionados a atividade de locomoção como, por exemplo, ortopedistas e fisioterapeutas.
Flexão lombar
Um uso proposto para o aparelho é o de medição e registro dos movimentos e atividade muscular da região lombar. O sistema também é capaz de medir a amplitude do movimento nos planos anatômicos sagital e coronal. O ViMove pode ser utilizado pelo  profissional para diversas análises e em diversas regiões:
Assessment Modules / What’s measured
Low Back: / Range of Movement, Postural Angles, and Muscle Activity, Outdoor Assessment for Up to 24 Hours
Running / Leg Symmetry, Average Ground Reaction Force (L&R Leg), Average Initial Peak Acceleration, Average Ground Contact Time (L&R Leg), Average Steps Per Minute, Total Distance, Average Speed, Time, Outdoor Assessment for Up to 24 Hours
Knee / Tibial Inclination, Valgus and Varus Range of Movement,Valgus and Varus Speed
Functional / Range of Movement, Quality of Movement, and Deviation from Start Position
Hamstring / Active and Passive Range of Movement
Neck / Range of Movement and Movement Patterns 

Melhoramento da performance de atletas profissionais (ViPerform)

No âmbito dos esportes, a empresa oferece a solução ViPerform. Seguindo o mesmo princípio e com mudanças apenas no software utilizado, os sensores registram em tempo real a ação do atleta, seja na academia ou durante a prática esportiva.
Através da tecnologia do ViPerform, os profissionais de saúde são capazes de realizar diversas aplicações com o objetivo de gerar informações para decisão de retorno do atleta após lesões, medir atividade biomecânica e fornecerbiofeedback imediato da prática esportiva, ajudar os atletas a alcançar e manter o pico de performance e desenvolver planos de treinamento específicos para cada atleta.
ViPerform-Jogging
O conjunto oferecido pela empresa proporciona avaliação em testes de corrida: o aparelho informa sobre a força de reação do solo e índice de assimetria em campo em diferentes superfícies, como grama. O controle de prevenção também avalia os joelhos, através da estabilidade do joelho em agachamentos e testes de saltos e permite a avaliação de flexão, extensão, e rotação interna e externa do quadril de forma eficiente e com um alto nível de precisão, medindo a amplitude do quadril.
Esta tecnologia já é utilizada no Brasil na área esportiva pelo São Paulo Futebol Clube. O Centro de Reabilitação do clube (REFFIS) é reconhecido por sua alta qualidade e conta com um dos 10 melhores fisioterapeutas do mundo, o Dr. Ricado Sakai. O clube utiliza a tecnologia desde Novembro de 2014 e vê muitas vantagens:
“Em caso de alterações musculares, por exemplo, o aparelho servirá para nos fornecer mais informações sobre o problema do atleta. Assim, saberemos como proceder para prevenir as lesões e corrigir a postura dos atletas.” Ricardo Sakai
São Paulo fecha parceria inovadora

Redução de lesões e melhoramento da produtividade no trabalho (ViSafe)

Através da mesma tecnologia de sensores, a empresa oferece para empresas uma consultoria que reduzem os riscos de acidente e aumento a produtividade operacional em 5 etapas:
1. Consultoria com trabalhadores e empregados para entender as necessidades específicas do setor/empresa
2. Entendimento do ambiente de trabalho e das tarefas para identificar riscos e obter dados primários
3. Desenvolver soluções que reduzem os riscos de lesões e acidentes
4. Teste das soluções no ambiente de trabalho
5. Implementação das soluções melhoradas
Segundo a dorsaVi, algumas empresas em que realizaram este trabalho notaram um aumento de 85% da produtividade de seus funcionários
A partir do uso da tecnologia, as empresas são capazes de analisar as tarefas dos trabalhadores individualmente ou por grupos, tarefas e quipamentos, e gerar relatórios que validem a tomada de decisão ou que ajudem a encontrar a causa de determinada lesão.
Para mais informações sobre a tecnologia, viste o site da dorsaVi:http://dorsavi.com/viperform/
Fonte: IClinic