Acredito que todos vocês já encontraram o famoso "magro
de ruim". E possivelmente também já conheceram alguém que vive no
"efeito sanfona", ou seja, consegue emagrecer, mas recupera o peso
perdido mais rápido do que foi a perda. Ou ainda, talvez vocês conheçam alguém
com um ótimo físico, mas que não mantenha uma dieta e uma rotina de exercícios
tão restrita.
As três situações são facilmente explicadas por um termo que
podemos chamar de "memória metabólica". Primeiro, devemos organizar
nossa ideia temporal. Isso parece óbvio, mas demora para muitas pessoas
entenderem e, até mesmo, aceitarem.
Seu corpo está acostumado com a forma física em que ele
passou a maior parte da vida. Se você foi obeso por 30 anos e adquiriu um
físico atlético em 1 ano, você ainda terá um metabolismo de obeso por um bom
tempo, mesmo tendo a aparência de um
atleta. Ou seja, qualquer descuido nesse período de manutenção, acarretará em
um rápido acúmulo de gordura corporal. O resultado deve ser consolidado! Nessa
situação, o organismo reduz sua taxa de metabolismo basal, diminuindo o gasto
energético, pois ele entende como uma agressão essa redução na taxa de gordura
corporal, que ele estava acostumado a manter. Nunca podemos esquecer que nosso
organismo prefere "acumular" gordura e "perder" músculos.
Afinal, enquanto a gordura é uma reserva energética, os músculos representam um
ônus energético! Isso é explicado pelo nosso processo evolutivo de milhões de
anos vivendo em condições naturais, nas quais nossos antepassados passavam longos
períodos sem se alimentar. Os que sobreviveram (nossos ancestrais), foram
aqueles que possuíam maior capacidade de reservar energia (na forma de
gordura).
Caso oposto é o indivíduo magro, que se dedica ao extremo
para ganhar massa muscular. Qualquer "deslize" na alimentação ou nos
treinos, promoverá perda do peso tão dificilmente conquistado. Nessa situação,
o organismo faz o contrário: aumenta o gasto energético basal, visando evitar o
ganho de peso, tornando tão difícil o sucesso nessa situação, quanto na
reversão de um quadro de obesidade.
A verdade é uma só: se você passou 95% da sua vida se
alimentando mal e sem atividade física, você terá de reverter esse processo com
muita paciência. Seis meses com um estilo de vida saudável não serão
suficientes para modificar seu metabolismo se você tiver se alimentado mal por
20, 30 ou 40 anos da sua vida. Tenha calma! Tudo funciona por processo, não por
mágica!
Já uma pessoa que apresentou uma quantidade de gordura
corporal controlada ao longo da vida, por meio de um bom controle alimentar e
de exercícios, terá maiores facilidades tanto na obtenção, quanto na manutenção
dos resultados obtidos.
Portanto, com mais essa discussão, podemos por para dormir no sono eterno essa ideia de que duas pessoas com mesma idade, mesmo peso, mesma atividade física, apresentará o mesmo gasto energético diário. Se ainda duvida, acompanhe simultaneamente uma pessoa que foi obesa a maior parte da vida e outra que sempre foi magra. Mesmo com a mesma idade, atividades físicas diárias e peso corporal, os trabalhos deverão ser totalmente diferentes, mesmo que o objetivo final seja o mesmo: adquirir um físico com pouca gordura corporal e um bom desenvolvimento muscular.
A boa notícia é que a memória metabólica é totalmente
mutável. Após alguns anos de controle alimentar e de exercícios, a tendência é
o trabalho ficar cada vez mais fácil e os resultados obtidos, mais consistentes
e difíceis de serem perdidos. Portanto, use a memória metabólica a seu favor!
Mas o metabolismo não reduz com a idade?
Depende! De uma pessoa sedentária provavelmente, mas quando
se existe um adequado controle alimentar e de exercícios, eu iria mais além do
que essa simples definição. Uma experiência longitudinal interessante que
acompanhei, foi um praticante de musculação que iniciou a atividade apenas aos
45 anos de idade. No início, foi difícil conseguirmos reduzir seus níveis de
gordura corporal, sendo possível apenas com a introdução de mais atividade
aeróbica e uma dieta restritiva.
Fui observando que ano após ano, seu metabolismo
"acelerava", sendo possível aumentar o fornecimento de carboidratos e
calorias na dieta, sem isso resultar em ganho de gordura corporal. Hoje, aos 54
anos, sua dieta possui níveis elevados de carboidratos e calorias, e mesmo
assim, ele consegue manter seu físico com baixos níveis de gordura corporal sem
se exaurir com atividades aeróbicas mais intensas ou prolongadas.
Portanto, o profissional deve considerar cada indivíduo!
Deve estudar e entender o metabolismo de cada um! Não existem fórmulas exatas
para se estimar o valor calórico! E é isso que torna o trabalho do
nutricionista tão minucioso e fundamental!
Fonte: Site Rodolfo Peres